terça-feira, 25 de setembro de 2012

O silencio do Aprendiz Maçon

O aprendiz maçon beneficia-se da virtude do silencio, Mesmo antes da própria admissão na Ordem, já se começa a exercitar este princípio, nos momentos que precedem as Iniciações, o Candidato permanece na Câmara de Reflexão onde o completo silencio  é muito importante, e o outro aspecto que é reforçado pelo juramento e comprometimento que todo maçon realiza na cerimônia de não revelar nenhum segredo, deve-se praticar a virtude de ouvir, meditar e refletir, no período de aprendizagem é muito importante compreender todos os elementos que compõem o ritual, a ornamentação de um templo, ouvir com atenção as instruções proferidas pelos mestres, de fato o aprendiz possui ainda algumas arestas que necessitam ser removidas com aplicação correta das ferramentas de trabalho como Cinzel e o malho, e é neste período que se forma a personalidade do maçon, começa-se a desenvolver a ética e a moral, o conhecimento agregado à meditação, que compreende-se uma oportunidade única e altruística de conhecer profundamente a maçonaria, pois o simbolismo maçônico exige uma reflexão diária e um estudo serio, com essas condições é que o aprendiz desbasta a sua pedra, tornando-a perfeita para o bom uso na construção do seu templo interior, O silêncio deve ser rigorosamente mantido, não por força de disposições regulamentares ou pelos ditames da boa educação, mas para que possa ser formado o ambiente de espiritualidade, próprio de um Templo. Ao ajudar a formação desse ambiente, tão propício à meditação, o Maçom beneficia-se a si mesmo e beneficia aos demais.

Como e dito na antiga filosofia hermética: os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento.
Esta é a virtude a qual deve o aprendiz se impor, e é necessário à elevação de consciência para destruir a ilusão e os preconceitos que obscurecem a nossa visão e nos tornam insensíveis ao verdadeiro esplendor, é neste princípio que incube o aprendiz e cujo respeito lhe proporcionara condições a caminhar ate a coluna do norte, sem desvios, para ter acento como companheiro franco maçon.
O Aprendiz deve ter consciência da sua idade simbólica e não tomar parte ativa nas discussões entre seus maiores, a não ser quando interrogado ou solicitado e não pode tomar a palavra senão a convite do Venerável. Este é o principio do Silêncio deve ser por ele observada também fora do Templo, no que respeita à Ordem Maçônica.
O aprendizado é o período de meditação e de reflexão. Saber falar com ética é sabedoria, mas saber ouvir é muito mais, pois o homem que sabe falar com respeito, com educação, com amor, naturalmente saberá também ouvir. A visão e a audição devem ser educadas, tanto quanto as palavras e as maneiras.
Segundo José Castellani: "O silêncio do Aprendiz é apenas simbólico, em atenção ao fato de que ele, simbolicamente, só sabe soletrar e não sabe falar. Todas as nossas práticas são simbólicas e não reais, como mostram, inclusive as provas iniciaticas e esse silêncio significa que o conhecimento que o mestre lhe transmite é absorvido sem qualquer dúvida ou reação, até o momento em que se torna capaz de emitir, por sua vez, conceitos superiores e que podem até conduzir ao sadio debate”.
Esse impedimento simbólico tem raízes históricas e místicas. Sendo, a mística maçônica, muito influenciada pelos costumes das antigas civilizações, temos por virtude de usar o silêncio amplamente em nosso dia-a-dia, pois tomamos inúmeras decisões e muitas delas somente são possíveis se tivermos bagagem de experiência, que pode ser adquirida através de três caminhos: o primeiro, ouvindo relatos de experiências dos mais vividos; o segundo, observando as experiências que os outros passam e; o terceiro é passando por elas. Ou seja, sentindo as consequências de nossos atos. Nos dois primeiros caminhos o Silêncio importantíssimo para podermos observar, ouvir, meditar e absorver. Já no terceiro caminho, talvez, pelo fato de não ter utilizado do silêncio, a dor e a tristeza podem lamentavelmente, às vezes, serem o resultado. O objetivo desse Silêncio imposto aos iniciados não é uma desqualificação ou desprestígio pelo fato de serem AApr.
 Quando se diz que o Apr. Não sabe falar e nem ter novas ideias, não é sobre a experiência e conhecimentos adquiridos na vida quando no mundo profano, mas, sim sobre essa nova visão de vida pela qual optamos. E é no Silêncio que a nossa introspecção, ou seja, visão sobre nosso interior produz o autoconhecimento, fonecendo-nos a Luz do que somos realmente, para que, quando voltarmos para o exterior, voltemos acalmados e purificados.
Observar estes princípios e que nos torna verdadeiros construtores da sabedoria.

Apr. ‘. M.’. Alan barros dos santos

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Despertar para uma Vida Maçonica


Quanto mais se convive e frequenta a Maçonaria, mais se aprende e se descobre e mais se consciencializa sobre o muito mais que se tem para aprender.
É vedado ao Maçon escrever, gravar, traçar ou imprimir informações que comprometam a essência filosófica da Ordem.
Obviamente, não defendemos que o indivíduo apregoe aos quatro ventos a condição de pertencer à Maçonaria e, sim, que ele se orgulhe de defender essa condição, desmistificando tabus que ainda pairam sobre nossa Sublime Instituição.
Deus - é o ser infinito, o homem o ser finito; Deus é perfeito, o homem imperfeito; Deus é eterno, o homem temporal; Deus é omnipotente, o homem impotente; Deus é santo, o homem pecador.
A crença na existência de uma força superior é o que se exige de todo o homem antes de ser admitido na Ordem, porém, ele deve ter e professar uma religião, seja qual for antes de sua Iniciação.
A Maçonaria, sob o ensino moral, pode abrigar todo os cultos, por mais diferentes que sejam as suas crenças. Pioneira na tentativa de se formar uma Irmandade ecuménica de pessoas de todas as religiões.
Essa disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas, sempre foi o aspecto mais perturbador para os líderes das religiões tradicionais.
Reflexão – Quando falamos de religião, na filosofia moderna ocidental, evidentemente nos referimos, quase sempre, ao cristianismo. Constatamos, nos tempos modernos, muitas e diferentes concepções de religião, algumas contraditórias, outras semelhantes. Nesta diversidade é difícil encontrar uma concepção comum, pois muitas vezes os diferentes pontos de vista são incompatíveis entre si. Sendo o homem o começo, o centro, o homem é o fim da religião. A religião funda-se na diferença essencial entre homem e animal, pois os animais não têm religião. Entretanto o essencial do homem é a consciência. Para afirmar o homem, não é preciso negar a Deus, pois, na verdade, é impossível ser amigo de Deus sem sê-lo dos homens. Criticam-se as religiões que não dão a devida importância à vida presente, pondo toda a esperança de libertação no céu. Por isso o homem religioso não se compromete com a mudança e transformação, com a injustiça, o sofrimento e a miséria deste mundo. A religião pode nos levar a aceitar todas essas coisas resignadamente sem lutar contra elas, projectando nossa felicidade no outro mundo. Permanece, porém, a esperança no futuro, na justiça e não na injustiça, na verdade e não na mentira, libertando-nos da angústia e enchendo-nos de coragem.
Quando a vida celestial é uma verdade, é a vida terrena uma mentira, quando a fantasia é tudo, a realidade não é nada. Quem crê numa vida celestial eterna, para ele esta vida perde o seu valor. Ou antes, já perdeu o seu valor: a crença na vida celestial é exactamente a crença na nulidade e imprestabilidade desta vida. Na verdade, contudo, nada indica o fim da fé em Deus e da religião.
Enfim, se é difícil crer em Deus, mais difícil, porém, é viver sem ELE. Por enquanto busquemos a felicidade aqui mesmo, neste “vale de lágrimas”, acima dos preconceitos, das exclusões, das tradições religiosas.
A Maçonaria - é uma comunhão de homens livres e de bons costumes, escolhidos entre aqueles que, a par de boas referências, tenham instrução suficiente para compreender e praticar os ensinamentos maçónicos e seus métodos de MORAL em movimento velados por símbolos e alegorias tradicionais. É uma escola de aperfeiçoamento pessoal e social, disseminada em Lojas pelo mundo. Pratica a fraternidade, o amor ao próximo, constitui um modelo de Paz Universal, Justiça e Igualdade. O reino da Tolerância, no sentido de respeito a todas as crenças fundadas em Códigos de Moral ou em ideias pacíficas que visem à Felicidade Geral da Humanidade, à Fraternidade Universal. É o sustentáculo dos deveres para com a Pátria, a Família e a Sociedade. É uma comunhão de indivíduos civilmente capazes e de exemplar comportamento, de qualquer raça, nacionalidade, credo religioso e de condição social. É uma união de homens de boa vontade, capazes de compreender que em todas as crenças há ideias comuns que podem constituir o cimento da Fraternidade Universal. É o corredor iluminado de todas as Filosofias. Investiga a Verdade e o desenvolvimento das Ciências e das Artes. Prima pela Harmonia, não permite discussões de carácter político-partidário ou de religião ou filosofia sectária de ideias que possam ferir os ditames de consciência de cada associado. E ainda que exija do candidato à Iniciação e dos próprios Maçons que tenham consciência, e não a simples crença aleatória, de existir um princípio criador, Deus, Construtor dos Mundos, o Grande ou Supremo Arquitecto do Universo, ou qualquer outro nome que a humanidade concedeu ao Grande Geómetra – Aquele que É, Foi e Será.
Filho da Luz - O Maçon faz jus a denominação de FILHO DA LUZ. Os verdadeiros segredos da Maçonaria são aqueles que não se dizem ao adepto e que ele deve aprender a conhecer pouco a pouco soletrando os símbolos. Cabe ao neófito descobrir o segredo. Dentro da noite das nossas consciências, há uma centelha que nos basta atiçar para transformá-la em luz esplêndida. A busca desta Luz é a Iniciação.
Maçon nato – É comum no meio maçónico dizer que determinada pessoa sempre fora Maçon, mesmo antes de ter-se Iniciado. Isto porque tal indivíduo é detentor de qualidades e virtudes características de um verdadeiro Maçon. Se dele advém boas coisas, atitudes correctas, gestos edificantes, ele é como uma boa árvore que produz bons frutos. Se for o contrário, se seu carácter for falho, por mais que tente mascarar sua personalidade, não conseguirá: é uma árvore ruim, que produz frutos ruins. O que a pessoa é na realidade paira sobre sua cabeça, e brada tão alto que é impossível ouvir sua voz dizendo o contrário numa vã tentativa de ludibriar os outros.
A Igualdade maçónica – Ao analisarmos o que se pratica habitualmente em Maçonaria encontramos vestígios da Igualdade permeando todo o tecido orgânico maçónico, sob o amparo da Tolerância. Começando pelo tratamento fraterno – todos os Maçons são Irmãos – qualificação que confere aspecto importante da Igualdade Maçónica, a IGUALDADE FRATERNAL, na qual expressamente, o Maçon, já na sua Iniciação, afirma o direito de proteger o Irmão em qualquer circunstância. Independentemente de seu grau maçónico e de sua condição de vida profana, trazendo consigo, por extensão, o conceito para seus familiares.
Tratar alguém de Irmão é tratar de igual para igual, é querer para ele o mesmo que desejamos para nós, mas é necessário que essa palavra “Irmão” saia do coração e seja real, sincera e fraterna.
Todos os Maçons se reconhecem como Irmãos quando no íntimo de seus corações sentem cair as barreiras ilusórias que dividem os homens e assim a Maçonaria terá efectivamente difundido sua Luz sobre a terra.
Existe a possibilidade de um dia, todos os homens se entenderem e encontrarem o caminho da verdadeira igualdade?
Sim. Segundo Jesus de Nazaré: “quando procurarem em primeiro lugar a Justiça e o resto vos será dado em abundância”. Quando pediram a Aristóteles um código moral por onde pautar a vida, ele disse: “Não posso dar-lhe um código; observe os homens melhores e mais sábios que você encontrar e imite-os”!
É gratificante pertencermos a uma Ordem que visa disseminar entre os povos algo da luz que ilumina o mundo. Cabe-nos empreender a missão de disseminar algo das leis do pensamento iluminador aos irmãos sedentos de luz e entendimento.
Afinal, quando descemos ao túmulo, porque é nele que o Rei depõe o seu Ceptro, o Pontífice, a sua Tiara, o Rico, a sua opulência, o Pobre, a sua miséria, o Maçon, o seu Avental.
A Morte nos despoja de nossas honras, de nossa fortuna, de nossa glória, de nosso esplendor, de nossa grandeza. Não pode, porém, destruir nossa influência sobre o Bem e sobre o Mal, porque os efeitos e as consequências de nossos actos e de nossas palavras são eternos.
O caminho certo – Na Maçonaria, o Obreiro recebe os mais sagrados ensinamentos filosóficos para a prática da virtude, devendo o homem ser livre em seus pensamentos e acções, para exteriorizar o que realmente tem em seu coração, porém tudo de bom ou de mal que colher será produto de sua sementeira, por isso a felicidade está ao alcance de todos. Escolha o caminho certo...
Texto de Valdemar Sansão – M:. M:.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A contribuição da Maçonaria para a formação de nossa nacionalidade: 7 de Setembro


Há um capítulo em branco na História do Brasil, e esse capítulo é o que se refere à Maçonaria, presente em todos os momentos decisivos e importantes de nossa pátria. Em torno da excepcional contribuição da Maçonaria para a formação de nossa nacionalidade, é inadmissível qualquer dúvida. De nenhum importante acontecimento histórico do Brasil, os maçons estiveram ausentes. Da maioria deles, foram os elementos da Maçonaria os promotores. Não há como honestamente negar que o Fico, A Proclamação da Independência, a Libertação dos escravos, A Proclamação da República, os maiores eventos de nossa pátria foram fatos organizados dentro de suas lojas. Antes de tudo isso, já na Inconfidência Mineira, a Maçonaria empreendia luta renhida em favor da libertação de nossa pátria. Todos os conjurados, sem exceção, pertenciam à Maçonaria: Tiradentes, Thomas Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, e até mesmo o Judas, o traidor Joaquim Silvério dos Reis, infelizmente também pertencia à ordem.

Há que se ressaltar também a grande contribuição de um maçon ilustre Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Este grande gênio da humanidade. Maçom do grau 18, Aleijadinho, autor de obras sacras, fez questão de secretamente homenagear a Maçonaria em suas esculturas. Ao bom observador e conhecedor da maçonaria, não passará despercebido, ao conhecer a obra do grande mestre, detalhes, pequenos que sejam que lembram a instituição maçônica. Os três anjinhos formando um triangulo, o triangulo maçônico, tornaram-se sua marca registrada.

A própria bandeira do estado de Minas Gerais foi inspirada na Maçonaria: o triangulo no centro da bandeira mineira é o mesmo do delta luminoso, o Olho da Sabedoria.

A independência do Brasil foi proclamada em 22 de agosto de 1822, no Grande Oriente do Brasil. O grito de independência foi mera confirmação. Ninguém ignora também que o Brasil já estava praticamente desligado de Portugal, desde 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico. E o Fico foi um grande empreendimento Maçônico, dirigido por José Joaquim da Rocha, que com um grupo de maçons patriotas, fundou o Clube da Resistência, o verdadeiro organizador dos episódios de que resultou a ficada.

A libertação dos escravos no Brasil foi, não há como negar, uma iniciativa de maçons, um empreendimento da Maçonaria. A Maçonaria, cumprindo sua elevada missão de lutar pela reivindicação dos direitos do homem, de batalhar pela liberdade, apanágio sagrado do Homem, empenhou-se sem desfalecimento, sem temor, indefessamente pela emancipação dos escravos.
Para confirmar estes fatos basta verificar a predominância extraordinária de maçons entre os líderes abolicionistas. Dentre muitos destacaram-se Visconde de Rio Branco, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Cristiano Otoni, Castro Alves, e muitos outros.

A proclamação da República, não há dúvidas de que também foi um notável empreendimento maçônico. O primeiro Ministério da República, sem exceção de um só ministro, foi constituído de maçons. Mera casualidade? Não. Ele foi organizado por Quintino Bocaiúva, que havia sido grão-mestre.

Assim foi e tem sido a atuação da Maçonaria com relação ao Brasil, sempre apoiando e lutando para a concretização dos ideais mais nobres da pátria, comprometendo-se em favor da liberdade e condenando as injustiças.

Texto: Ir.'. A. Tenório de Albuquerque

O TEMPLO MAÇÔNICO E SEUS SÍMBOLOS


Daremos início a estas reflexões sobre o Simbolismo do Templo, revisando previamente alguns conceitos, muitas vezes mal interpretados pelos que pertencem a esta Augusta Ordem. Refiro-me aos termos LOJA e TEMPLO
Ambos os termos analisaremos brevemente, desde o ponto de vista EXOTÉRICO e desde o ponto de vista ESOTÉRICO.

LOJA MAÇÔNICA
A – EXOTÉRICO
É o conjunto de pessoas que integram a família maçônica. Tal como a Igreja, que é simplesmente a congregação de seus fiéis, a Loja não é um LUGAR FÍSICO, senão que a associação ou somatório daquelas pessoas que realizam o trabalho maçônico, quer dizer, a intenção de continuar o caminho que empreenderam no momento da sua Iniciação Maçônica. Única maneira – portanto – de alcançar a verdadeira iniciação, pois é inegável que a cerimônia dedicada a este propósito, está constituída somente por uma série de símbolos que se oferecem ao Recipiendário, para que ele, com o trabalho tenaz e ininterrupto, alcance a Iniciação Real.
B - ESOTÉRICO 
     
A Loja é a congregação do exército de virtudes que se unem e se dispõem a luta contra os instintos, os vícios e as paixões que a escravizam e lhe roubaram o seu reino.

TEMPLO MAÇÔNICO
A – EXOTÉRICO
É o edifício, a estrutura física, na qual se reúnem os maçons para avançar na senda até a perfeição.

B – ESOTÉRICO 

Desde este ponto de vista, podemos assinalar que o Templo Maçônico é o Corpo Humano, onde mora o SER, a Essência Infinita, o Espírito de Deus. É chamado de Templo porque não é outra coisa que o santuário que utiliza a Divindade (o homem é a chispa divina com os mesmos atributos do Criador) para manifestar-se neste universo físico.

DIFERENÇAS ENTRE LOJA E TEMPLO

Do ponto de vista EXOTÉRICO existe uma diferença palpável, pois uma coisa é o conjunto de irmãos que se congregam para crescer em sabedoria e virtude, e outra, muito diferente, é o lugar onde se reúnem.
Todavia, quando observamos as coisas sob o ponto de vista que está mais além das aparências (ESOTÉRICO), damo-nos conta que não existem diferenças, pois assim como é em cima, é embaixo, ou seja, que tanto as pessoas que se reúnem como as paredes do Templo, no qual trabalham, não são outra coisa que ENERGIA CONSCIENTE E INTELIGENTE. Todo este universo é uma, e exclusivamente esta, Energia que mantém cada coisa exatamente no lugar em que deve estar. Cada Ser Humano cria seu próprio universo e o segue criando até o dia em que decide partir, para logo voltar a criar outro universo novo, na medida das suas necessidades espirituais.

O QUE CONTÉM UMA LOJA E O QUE CONTÉM O TEMPLO MAÇÔNICO?

A Loja sendo a congregação dos irmãos, que não são outra coisa que pequenos universos, contêm todas as virtudes e todas as boas intenções de seus membros em sua luta para alcançar a Maestria sobre si mesmos. Ela é, então, o somatório das Luzes de todos e de cada um de seus membros. Também na Loja se encontram simbolizadas todas as manifestações do universo físico que, observadas desde o ponto de vista esotérico, só refletem a imensidão espiritual que se encontra no interior do Ser Humano.
O Templo, por sua parte, está pleno de Símbolos e Alegorias que servem para recordar aos Irmãos sua origem celestial (por dar-lhe um nome) e que dentro de seu próprio corpo há tantas estrelas, ou mais, das que se encontram espargidas no espaço infinito.
A estes Símbolos dedicaremos alguns minutos da nossa exposição, não sem antes deixar bem assentado – bem claro – que a palavra Templo implica o conceito de SAGRADO. Um Templo pode se situar fora de nós mesmos ou pode se encontrar em nossa interioridade, ficando sempre invariável essa condição de SAGRADO.

O TEMPLO MAÇÔNICO, SEUS ESPAÇOS FÍSICOS

O Templo Maçônico (Exotérico), em geral está constituído por uma série de espaços entre os quais podemos destacar os seguintes:

1 – O QUARTO (CÃMARA) DAS REFLEXÕES

Representa o planeta Terra no qual nascemos, morremos e encontramos o repouso eterno. O Q.: Ir.: Pedro Barboza de la Torre, Grande Inspetor Geral da Ordem, em uma de suas importantes obras, manifesta que este simboliza, em primeiro lugar, a Matéria que é a base dos seres e que se oferece aos sentidos em diferentes estados. Representa, também, o centro da terra e a matriz da mãe, onde o novo ser se forma e se prepara para nascer. Ali morre o homem para os vícios e as paixões e nasce para praticar a virtude, a sabedoria e o bem.

 2 – SALÃO DE BANQUETES

Local destinado à celebração de reuniões do tipo social.

3 – CÃMARA DE MESTRE ou CÃMARA DO MEIO

Lugar onde os Mestres Maçons realizam seus trabalhos.

4 – SALA DE PASSOS PERDIDOS

Lugar onde se concentram os Irmãos antes de entrar no Templo propriamente dito ou lugar de trabalho (Câmara). É o lugar onde devem ser recebidos os Visitantes antes de serem anunciados. É ali e não dentro do Templo onde se assina o Livro de Presença e a Prancha Convocatória ou de Citação. Também é ali onde os Irmãos devem colocar os Aventais, Colares e demais condecorações.

5 – ÁTRIO

É a linha, ou espaço físico, que separa o mundo profano do sagrado, pois é neste lugar que os maçons se recolhem e se concentram, antes de entrar no Templo. É, segundo Juan Carlos Daza, no Dicionário da Franco-Maçonaria, o “umbral do Templo e simboliza o espaço de trânsito e de união, que separa o exterior do interior, e é onde se espera, em recolhimento, para ser acolhido ou introduzido”.
Para Lorenzo Frau Abrines - para citar outro autor -, é o espaço ou sala que se acha diante da entrada ou porta do Templo onde se celebram os trabalhos. Alguns autores o chamam Parvis, que segundo eles, é a peça que precede ao Templo.

6 – TEMPLO OU CÃMARA – Seus Símbolos

O Templo é um lugar fechado onde se realizam os trabalhos maçônicos no grau de Aprendiz, e que tem a forma de um paralelogramo ou quadrado oblongo, estendido do Oriente ao Ocidente, quer dizer, em direção à Luz; sua largura é de Norte ao Sul, sua profundidade é da Superfície ao Centro da Terra e sua altura do Zênite ao Nadir, porque a Maçonaria é, simplesmente, Universal e o Mundo é uma Loja.
O Templo não tem janelas, por quanto não deve receber luz de fora, senão que, exclusivamente, de dentro, e só uma porta de entrada localizada no ocidente, pois o homem entre e sai deste mundo por uma só porta.
O Templo Maçônico, nos diz Juan Carlos Daza, “é a matriz, é o Athanor hermético, onde renasce a vida espiritual mediante a correta utilização dos símbolos e das ciências, os quais operam como portadores de uma mensagem que nos regenera, quanto mais interiorizamos sua significação espiritual e operam com utensílios ou ferramentas para edificar nosso templo interior, o qual vive dentro da dialética do movimento do mundo, de sua criação e de sua destruição”.
De sua parte, Orlando Solano Barcenas, faz uma interessante descrição em sua obra “A Loja Universal”: “O Templo maçônico não é a simples delimitação arquitetônica de um espaço qualquer, senão a consagração simbólica de um espaço considerado sagrado”.
“Por sagrado não deve entender-se religioso. A respeitabilidade do templo ou sua sacralidade fazem com que este lugar participe de uma série de valores culturais, éticos e simbólicos que o convertem no reflexo de uma cosmovisão própria do pensamento maçônico...”.

O Templo – antes que procedamos a entrar nele – “como lugar respeitável permanece separado do nível da experiência corrente, banal ou cotidiana. Em outros termos, permanece separado do profano e das indiscrições do mundo exterior”. Dentro do Templo, logicamente, não se deve fumar, comer nem beber e sempre há que se penetrar nele com as insígnias do grau devidamente colocadas, em silêncio e respeito, evitando todo o tipo de conversação, por quanto é um lugar destino ao trabalho interior.
A respeito, o Dr. Serge Raynaud de la Ferriere, no Livro Negro da Franco-Maçonaria, destaca que “freqüentemente o Templo não corresponde senão que a um simples nome, em vez de possuir todas as suas qualidades; com efeito o Santuário deve estar glorificado da presença do G.: A.: D.: U.: e, por tanto, não é só o ritual parafraseado o necessário, senão que um ambiente muito especial”.
Como assinalamos antes, o Templo Maçônico só tem um lugar para ingressar, de maneira que vamos agora penetrar nele e, para isso, falemos em primeiro lugar da Porta, que como seu nome o indica é o lugar de entrada ou de saída de todo o aposento fechado ou, também, o elemento arquitetônico que facilita a passagem entre duas áreas separadas por algum tipo de fecho. Do ponto de vista maçônico é a abertura que comunica dois mundos, é dizer o mundo profano e o mundo sagrado.
Juan Carlos Daza: “A porta da Loja é, por si mesma, um Templo; suas duas colunas e a arquitrave representam o ternário e o elemento fundamental de toda a construção”. Este mesmo autor manifesta que “na cerimônia de iniciação, o recipiendário trespassa a primeira porta, ao ser despojado dos metais... Esta porta é muito baixa, não como sinal de humildade, senão que para assinalar a dificuldade da passagem a uma nova vida, como a criança que vem ao mundo e começa a aprender a andar avançando primeiro de gatinhas”.
Jorge Adoum, em “As Chaves do Reino Interno”: “A porta do Templo é a primeira estância da iniciação interna; para aprender os mistérios do espírito, deve-se entrar no Templo interior onde estão ocultos tesouros”.
Orlando Solano Barcenas, em “A Loja Universal”: “Sua forma, sua situação e sua orientação, traduzem uma série de escolhas de valores espirituais e culturais que, em seu simbolismo, servem para diferenciar o espaço sagrado do Templo Maçônico”. “Fixa a direita e a esquerda do Templo, direções simbólicas que traduzem a base do triângulo que fixa a hierarquia da Oficina. Representa a aurora, porque em seu umbral, participa também da sacralidade ao separar e definir o interno território sagrado, vedado aos intrusos, aos profanos”.
No Templo de Salomão, segundo está estabelecido no Primeiro Livro de Reis, tal como na maioria dos templos ou antigos santuários, cujas características eram similares, havia um Pórtico ou Ulam de 20 côvados de largura, por 10 de comprimento e 30 de altura, além do Lugar Santo ou Heijal ou, ainda, Hekal e o Sancto Sanctorum ou Debir.
Diante do Pórtico havia duas grandes colunas de bronze, ou revestidas dele, que constituíam a Porta do Templo, que não tinham razão estrutural alguma e cuja intenção era estritamente simbólica.
Da análise destes conceitos e os de muitos outros autores, como Edgar Perramon, no “Breve Manual Maçônico”, que expressa que “A entrada estavam duas colunas, B (a força) e J (a beleza) sobre as quais se encontravam o Universo e uma Romã ligeiramente aberta como símbolo da maturidade”. Raymond Capt, no “Templo do Rei Salomão”; em “Meus Três Passos”, de Pedro Camacho Roncal; e também Jorge Adoum, em “O Aprendiz e seus Mistérios”, referem que “entre ambas as colunas se achava a porta do Templo”. Alec Melor, em sua obra “A Encruzilhada da Maçonaria”, Tomo II, diz que “A porta da Loja se achava no Ocidente, quer dizer, frente ao Oriente, entre duas Colunas, com capitéis ornados de lírios e coroados de maças e romãs simbolizando a família”; poderíamos então considerar que a Porta do Templo Maçônico está constituída pelas duas Colunas (B e J) e que o espaço entre a porta física e estas duas colunas poderia ser o Átrio. Todavia, outra consideração nos poderia levar a pensar que as duas colunas sejam colocadas uma a cada lado da porta.